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25 de setembro de 2008

Poesia







Eu vivo sob um poder
que às vezes está no sonho,
no som de certas palavras agrupadas,
em coisas que dentro de mim
refulgem como ouro:
a baciinha de lata onde meu pai
fazia espuma com o pincel de barba.
De tudo uma veste teço e me cubro.
Mas, se esqueço a paciência,
me escapam o céu
e a margarida-do-campo.

Adelia Prado

19 de julho de 2007

Ensinamento



Ensinamento

“Minha mãe achava estudo
A coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
Ela falou comigo:
‘Coitado, até essa hora no serviço pesado’.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”

Adélia Prado

Às vezes está tão perto dos olhos, tão ao alcance das mãos, tão dentro da gente. Só que queremos algo mais, aquele sino que não toca, a rede jogada onde não há peixe, o quente ou o frio. Se não for exatamente do jeito que imagino, sinto muito. Já pensou que entre o 8 e o 80, existem no mínimo 72 possibilidades? Se você incluir o 8 e o 80, são 74 alternativas diferentes?

Contentamento é mesmo uma dádiva.

Se deixássemos os nomes de lado, talvez fôssemos mais plenos.