Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

21 de abril de 2011

Análise






Análise



Tão abstrata é a idéia do teu ser

Que me vem de te olhar, que, ao entreter

Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,

E nada fica em meu olhar, e dista

Teu corpo do meu ver tão longemente,

E a idéia do teu ser fica tão rente

Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me

Sabendo que tu és, que, só por ter-me

Consciente de ti, nem a mim sinto.

E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto

A ilusão da sensação, e sonho,

Não te vendo, nem vendo, nem sabendo

Que te vejo, ou sequer que sou, risonho

Do interior crepúsculo tristonho

Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.



Fernando Pessoa

8 de março de 2011

Poesia







Eu vejo você


Eu vejo você
Reconheço você
Pelo que é – e pelo que busca ser
Pelo que sente – e pelo que busca sentir
Pelo passado que teve – e pelo futuro que busca ter



Eu vejo você
Desde o primeiro segundo
E todos os outros segundos
Por sua alma que busca entender
Viver. Sentir.
Por um segundo, existir
Para nunca – jamais – partir


Aldo Novak

2 de fevereiro de 2011

Que seja doce








Que Seja Doce


"Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para falar, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, o ver, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.

No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)

Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus.

Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."



(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

21 de agosto de 2010

Bruxa






BRUXA




Sei que sou.
A luz me chama.
Tenho que seduzir.
A Natureza me seduz,
Chama
A seus rituais,
Tão naturais,
O banho das águas,
Mar,
Rios,
O vento
Batendo,
O sol
Queimando,
Pisando na terra
Deonde vem energia
Dessa magia
Só pode ser dela:
Da mão,
Da mãe
Natureza.




Cristiana Passinato

Guerreira







GUERREIRA

Rosto imponente,
Curvas bem delineadas,
Peito aberto para o mundo,
Passos fortes e decididos,
Marcando sua presença.


Reluz como uma estrela,
Com movimentos bruscos,
De um raio rasgando o céu.
Na velocidade de um cometa.
Pisando nos fracos e oprimidos,
Ela passa...


Uma mulher feroz,
Trazendo a garra estampada,
Sempre de sentinela,
Farejando a batalha.
No ímpeto da vitória.


Olhar inquieto e astuto,
Observador e atento,
Na forma de uma hiena,
Sempre armada para o ataque.


Mulher indomável,
Fria e calculista,
Rápida como uma águia,
Astuta como a serpente.


Envolta em sua armadura,
Rompendo barreiras,
Devastando florestas,
Atravessando rios e mares.
Sem limites nas andanças.


Num brado de guerra, grita:
- Sou a luta e a conquista!
- Sou a força e a coragem!
- Sou a glória e a vitória!
- Sou uma Guerreira!

Marilena Lima Gomes

27 de julho de 2010

26 de maio de 2010

Sexualidade






A Poesia Não Se Importa



Com As Diferenças Entre : Erotismo E Pornografia


A verdadeira e sensual poesia ...
Aceita o erotismo e a pornografia ...
Sem se importar com diferenças ...
Muito menos com raças e crenças !

Porque a poesia não é preconceituosa ...
Ela é a mistura do verso com a prosa ...
Ela é a maravilhosa rosa ...

Do néctar do estribilho ,
Que é a fonte do andarilho ...
Com aroma de amor - perfeito ...
Porque não tem preconceito !

Este andarilho é o real poeta ...
Com alma sábia de profeta ,
Que docemente afeta ...

Qualquer alma sensível ...
De um jeito incrível !

A sincera e sensual poesia ...
Não discrimina a pornografia ...
Pois , sabe que ela é a rede da fantasia ...
No infinito mar da harmonia !

A poesia sensual é pornô ...
Ela transforma o motel num bangalô ...
E toma banho de ofurô !

A poesia erótica é picante ...
Pois , ela é a melhor amante ...
Do verso de diamante !

A tarada poesia erótica ...
É sadomasoquista e gótica ...
Mas , conhece os segredos do prazer ...
Na cama do alvorecer !

A verdadeira e sensual poesia ...
Aceita o erotismo e a pornografia .

Luciana do Rocio Mallon

Poesia






Meios


Meio verdade...
Meio mentira...
Meio sonho...
Meio estranho...
Meios distante...
Meio próximo...
Meio conhecido...
Meio meu...
Meio tudo...
Meio nada.
Porém de muitos meios.
Cativa-me o inteiro.
A descoberta,
O sentimento,
A curiosidade,
A intensidade,
O interesse,
A sinceridade...
No que acredita,
No que sente,
No que pulsa,
No que transmite.
Tudo pode ser.
Tudo acalma...
Ao mesmo tempo atormenta.
Vejo esse paradigma..
E nao adoeço,
Pois a saúde depende
Desse dilema.
Todo anoitecer.
Aqueço
Doces lembranças
E suaves palavras
Envolventes.
Aproximo e afasto.
Mas tenho certeza:
Sinto cada vez mais.
A alegria,
A felicidade,
É o amor e
A Paz.


Cristiana de Barcellos Passinato

Poesia






Abdicação
Fernando Pessoa



Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Poesia







"Tenha felicidade bastante para que possa suportar os momentos tristes, dificuldades para que venças e te fortaleça a cada luta, sonhos para que busque a cada dia um novo objetivo, amor que te aqueça a alma e esperança sempre, para que não te faltes o desejo de viver cada dia melhor, todos os dias. O que a vida quer da gente é simplesmente coragem!"


Krishna

Poesia




Triste tristeza, toda vida mascarada


Um fardo da venda da alma
Que se vende diariamente, quentinha
Mas pobre de quem acreditar comprar
Nesse lodo do credor desilusão
Os minutos do telhado
Soam no retumbado
Dos passos, dos pingos
Um achado... alguém sozinho
Adormecer no sonho e acordar da realidade
Vida em um passado e passado sem saudade
Retiro o lodo que me prendeu
Lavo os olhos que te enalteceu
Escuto os passos no pingo de lágrima
Derramo o pote cheio de mágoa
E dos sete palmos que me resta
Quero todos contados
É tempo de despertar
De volta a poesia, palavras a rabiscar.


IVAN FUMANN

Poesia








**************************
Quanto mais eu o amolo, mais afiado ele fica.
*****************************
*****************************
*****************************
***************************
***********************
*******************
***************
***********
*******
***
*

Poesia




E AGORA MULHER?




Andei distraído...
Com os sons e a rotina da vida.
Num repente, acordei...
Nas mãos de um sonho "bandido".
E eu que pensei ser um homem vivido
Acordei nos laços de um amor proibido!

E agora... Que faço mulher?

Confesso o que lhe tenho escondido?
Esqueço o que tenho sentido?...
Ou me nego a entender nesse olhar
O que seus olhos me andam pedindo?

Que faço agora mulher ?


Com esta força chamada libido?
Arrebato-me aos seus braços com beijos...
Num abraço de amor e desejo?
Ou me guardo como estivesse iludido?
E morro sem tê-la sentido ???!!!

Que faço agora mulher?

Eu não sei!
Confesso: me sinto perdido!




(Alguém especial me enviou, não sei ao certo a autoria)


@@@@@@@@@

Poesia





* Se me apaixono por alguém que não me corresponde o problema é meu e não do outro. Eu é quem criei um mito, formei expectativas, sonhei, fantasiei. A hora em que eu cair na real, sou eu quem tenho que trabalhar minha fantasia, o que essa pessoa tinha para me cativar, porque me apaixonei por ela. Não importa por quê ela não correspondeu, o que se passa na cabeça dela, o que poderia ter sido feito. Importa os sentimentos que passam POR MIM e o que eu posso fazer para não voltar a sofrer.

(Léa Waider)

26 de março de 2010

Poesia






.

Se as coisas
são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.

Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!




Mário Quintana

Poesia






.

tapetes para a vida
.

Atapetemos a vida
Contra nós e contra o mundo.
— Desçamos panos de fundo
A cada hora vivida!

Desfiles, danças embora
Mal sejam uma ilusão...
Cenário de mutação
Pela minha vida fora!

Quero ser Eu plenamente:
Eu, o possesso do Pasmo.
Todo o meu entusiasmo,
Ah! que seja o meu Oriente!

O grande doido, o varrido,
O perdulário do Instante
O amante sem amante,
Ora amado, ora traído ...