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23 de dezembro de 2009

20 de junho de 2009

Poesia






Urge dispor o amor
de outra maneira
cultivar o desalinho
arrumar as dores
lavar as mágoas
polir a ternura
e depois
abandonar a casa


o amor não pode nunca ser
lugar de exílio


João Manuel Ribeiro

11 de julho de 2008

Amor Feiticeiro






Amor Feiticeiro
Maria Thereza Neves

hoje acordei a brigar comigo
sentada no poleiro das almas tolas, bobas
que acredita no sedutor de magias
no Dom Juan das mil fantasias
que muda a vida em frações de segundos
quando na alcova, esperava uma alma pura


na escuridão do mundo
no calor infernal
os olhos brilhando no infinito
a passar os dias envolvendo
o lugar, a saudade
sem importar a dor
o teu ir e voltar
sem nada, nada explicar


não deixe o dia findar
nem a morte da paixão rondar
hoje não quero me controlar
preciso da sua boca ardente
vulgar, violenta, lasciva
sonhos impiedosos de luxúria insana
me beijando sem parar
já sinto sobre meu corpo
o teu a deitar
e a vontade de rir, gemer, gritar em vermelho!

17/04/07
******
* Feitiço Amoroso*
Schyrlei Pinheiro
Que feitiço é esse,
guardado na química sedutora,
escondida na magia de um olhar,
que tem o poder infinito
do outro conquistar, sem nada falar.
Miragem... fantasia... ilusão!
Distante, brilhas, e tuas centelhas
despertam o desejo de amar;
sem pedir licença, invades
o coração, com teu calor.
Na troca, basta um segundo
incandescente e te fazes presente
no sempre amar,
provocando, no corpo,
os calafrios da eterna paixão.
Feitiço, és o amor que acontece na vida,
distraída, descontraída, sonhando
com a magia de um simples olhar.

20 de maio de 2008

Enquanto a felicidade não vem



Enquanto a felicidade não vem
por Paulo Roberto Gaefke

Enquanto a felicidade não vem,
trate de colocar a sua casa "alma" em ordem,
faça uma faxina em seus pensamentos,
esvazie-se das dores e decepções,
esqueça as frustrações,
o momento é esse, hoje é o seu dia.

Enquanto a felicidade não vem,
prepare a esperança para renascer,
sonhe novos sonhos, vista-se de alegria,
ainda que efêmera, a paz está em nós,
onde nós a colocamos, zele por ela.

Enquanto a felicidade não vem,
mude de atitude, experimente novos rumos,
mude de vestuário, experimente uma nova cor,
mude o penteado, troque de bolsa,
experimente o "experimentar".

Dê-se ao luxo de sorrir para as flores,
cumprimentar as plantas,
ser feliz no seu minúsculo quarto,
ser mais você, mesmo sentindo-se tão só.

Enquanto a felicidade não vem,
faça uma festa comemore-se!

Você é o convidado principal da sua vida,
todos querem dançar com você,
tirar fotos ao seu lado.
No grande baile da sua existência,
a vida é apenas uma criança,
que começa agora em passos incertos,
e vai até a eternidade do seu amadurecimento.

Faça-se melhor a cada dia,
felicidade não tem idade,
tem tempo de amadurecer em você.

--
Paulo Roberto Gaefke
www.meuanjo.com.br
www.oolong.com.br

28 de janeiro de 2008

Poesia Concreta - Implosão



Poesia Concreta

Para quem gosta de poesia concreta, vide:

http://br.youtube.com/watch?v=XaHYLADdAZU

24 de novembro de 2007

Poderia




Poderia

Poderia amar-te
na aurora das revoluções,
com o amor alucinado
dos anarquistas loucos,
em caves desertas e cinzentas de fumo,
sob furacões de balas e multidão,
no delírio sangrento
da queda da ordem
e das tiranias

Amar-nos-íamos!
Amores crispados,
amores profanos,
amores inquietos de pólvora
e arame farpado.

Ficaríamos depois,
ombros nos ombros,
alheios às chamas,
olhando a imensa flor vermelha
irrompendo
por entre os escombros.

Manuel Filipe


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Integração

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram. (...)
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade In:
O Amor Natural, 1992.

20 de setembro de 2007

Poesias

Vilei Boneca....



Tem mais aqui:


http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&Item=300149815895&Category=343&_trksid=p3907.m29

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Qualquer coisa dita é a não acontecida.
No que antecede a fala está o mistério:
a verdade da coisa,
mesmo que seja uma grande mentira.

O amor que se desfia em uma frase
perde 50% do se dar,
por mais que pareça
o contrário:
o amor cantado dispersa o amor.

Ali, no silêncio, é que ele é.

Quer dizer, eu acho.

Ou então teria de ser uma fala como a dos bentevis
nervosos à janela,
diante da fruta madura
e vermelha.

Espanto,
assombro,
deslumbre:
susto, não.

Crinq! Crinq! Barulho e nada.

Tive um amigo que via nas pedras perfeição,
provavelmente, porque eram mudas.

Pra ele descobri a frase:
"demônios são os homens e os espelhos, porque eles multiplicam a ilusão",
ou qualquer coisa assim.

Mentira, não foi pra ele não.

Mas pra quem foi eu também não digo.


Patricia Reis

31 de agosto de 2007

Poesias





Alma Vadia

Minha alma alegre e inconstante, romântica e aventureira, fugiu, saiu de mim... vagueia longe, distante, de utopia em utopia, entre o mundo e o sub mundo.

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Os segredos que guardo
Saltitam entre as gavetas
Exibem-se pelas frestas
Insinuam-se
São segredos despudorados
Mistérios falsificados
Porta entreaberta
que te convida a entrar

Ana Cabral

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Poeta


Para ser poeta é preciso ser louco;
Deixar o coração gritar até ficar rouco;
De tanto amar, de tanto chorar,
De tanto odiar o ter que calar

Emoções, sentimentos
Conclusões, pensamentos,

Que o mundo cinzento de duro concreto
Em vão aprisiona;
A poesia atravessa o teto

Da ignorância, insensibilidade.
O poeta tem meios que outros não tem;
Pra driblar os bloqueios que da vida advém.

E tocar corações;
Despertar emoções.

Rosely T. Sales

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14 de agosto de 2007

Caio Fernando de Abreu



"Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro".
(Caio Fernando Abreu)


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"Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos."
(Caio Fernando Abreu em "A terra do Coração)


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"Não quero realismo.Quero mágica! - Sim, mágica.Tento dar isso às pessoas.Sei que deturpo as coisas!Digo o que deveria ser verdade.Se isso é pecado, castigue-me!
(Blanche, de Um bonde chamado Desejo)

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3 de agosto de 2007

Valéria Tarello






faro e fino trato



te
adivinhono bouquet
de um vinho tinto
tenho
instinto
um tanto
etílico






pródiga






a vida
pousa
a vida
pulsa
a
vida
passa




avida_
mente
a
vida se desgasta
e não poupa-nos
da paus/\________











ciclo






o tempo estende-se,
dias a fio,

contíguos,
que perduram
— pendentes —
pelas barras do
destino.





não demora,

o tempo
exíguo,

recolhido,

será
passado

a ferro brando.




[enquanto uma nova era
de horas aguadas,

na máquina do tempo,




espera...]



ego



eis-me aqui
diante do
espelho:

um nonsense



face
&
disfarce



eis-me aqui
um contra-senso



reflexo
&
avesso



eis-me aqui
ante meus versos:

uma antítese



imagem
&
miragem



a bem da verdade
reconheço o
que viso:



um oásis de vaidade
pregando
no deserto



eis-me aqui:



narciso
&
eco











pantomima



prefiro o gesto, à
palavra
sou mais o não dito, subentendido
no jeito mundo que
ele me toca



me toca fundo
essa cena
muda



me deixa úmida
in
loco





ais ou enos



se há coisas
que causam

náuseas,
há drágeas
para o sintoma.
há
ampolas,
gotas,
há placebo.



para sexo
indigesto,
tomo
enos.



[onde estão meus
ais?]



eu, tu, ele, noz



essa noz
engelhada
ora
torta
ora semente
como esse nós
inde(is)cente da
gente



ora poda
alma lacrada
ora
poder
romper na palma
ora podre
[pobres de noz]



esse nós
entre tantos
podia
tanto
nada entretanto
pôde